Terra, planeta bárbaro em todos os sentidos

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Para quem não sabe, antigamente a palavra “bárbaro” era uma gíria, muito usada, que significava algo como incrível, sensacional. Se eu fosse uma pessoa mais nova, esse blog se chamaria Planeta Sinistro e acho que o nome teria o mesmo efeito.

A Terra é bárbara, como diria eu, ou sinistra, como diriam os mais jovens, porque tem uma natureza incrível, porque aqui habita um conjunto muito diverso de formas de vida e porque aqui vive uma espécie, a nossa, capaz de fazer coisas sensacionais, como compor músicas, escrever romances, construir prédios de centenas de andares, curar doenças que matavam milhares de pessoas e se mover rapidamente por todo o planeta.

Mas, a Terra também é bárbara, ou sinistra, porque sua espécie dominante, nós, tudo destrói. Não poupa nem mesmo seus próprios filhos. Acaba com as outras espécies, explora a natureza à exaustão, escraviza seus membros, desaloja, fere e mata suas crianças, transformado um planeta bárbaro em um planeta bárbaro.

A natureza desse planeta nos oferece, além de condições adequadas à vida e de materiais múltiplos para o desenvolvimento da nossa espécie, inspiração. As soberbas paisagens de montanhas, florestas, glaciares e desertos nos deixam extasiados. Os imponentes animais de beleza única comovem adultos e incendeiam a imaginação das crianças. Mas a natureza também oferece inspiração para o desenvolvimento tecnológico, desde o velcro, inspirado em sementes que grudam eficientemente, que data da década de 19450, até uma roupa de mergulho peluda, recém desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts nos Estados Unidos, baseada nos pelos das lontras e dos castores.

A questão é sempre a dualidade do termo bárbaro… A tecnologia e nossa crescente dependência dela podem fomentar barbaridades, desde dando escala a processos destrutivos, como também alimentando a ilusão de que tudo pode ser resolvido por meios tecnológicos.

Vale lembrar que nesse planeta bárbaro, o poder, em geral, está concentrado em poucas mãos e não é diferente nas questões de ciência e tecnologia. Ainda que a maioria de nós interage cotidianamente com a tecnologia, quantos de nós participam dos processos que decidem que tecnologias devem ser criadas e que pesquisas devem ser financiadas? Aparentemente passeamos pelo mundo como sonâmbulos tecnológicos sem medir as consequências desse alheamento.

A centralidade da tecnologia e da ciência no nosso mundo só é comparável ao quão periférica é a discussão e a reflexão sobre esse assunto. Mas se esse planeta é bárbaro, ele pode se tornar ainda mais bárbaro com os avanços tecnológicos que se delineiam…

Enfim, aqui, Planeta Bárbaro: ciência, tecnologia e meio ambiente, com uma pitada de humor, batidos no liquidificador.

1 Comentário

  1. Ana Paula Caldeira Souto Maior disse:

    muito legal Nurit!
    Vou repassar para jovens adolescentes que conheço. Adultos tb, claro.
    bjs,
    AP

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