Sedentos e virtualmente sedentos
25 de março de 2017

Ter um cachorro parece tão natural que, em geral, a gente nem pensa como começou essa nossa relação, tão íntima, com esses animais. O cão parece ter sido o primeiro animal a ser domesticado, mas se a domesticação tinha como objetivo maior garantir estoques alimentares constantes, por exemplo de carne, como se explicaria a domesticação do cachorro?

Uma paleoantropóloga, da Universidade Estadual da Pennsylvania, nos Estados Unidos, Pat Shipman, publicou um artigo na revista Current Anthropology e escreveu um livro, dirigido ao público leigo, intitulado “The Animal Connection” defendendo a ideia de que a conexão especial que os humanos possuem com as outras espécies foi fundamental na história da nossa espécie. Segundo ela, observar as estratégias e hábitos de outros predadores, que competiam com os ancestrais dos humanos, e trocar informações sobre o tema foram essenciais para a evolução de dois atributos humanos, a linguagem e o uso de ferramentas.

No caso do cachorro, em particular, Pat Shipman afirma que o processo de domesticação se explica pois o cão é uma “ferramenta viva”, ajuda a encontrar animais a serem caçados e a controlar os roedores. Não podemos esquecer, porém, que em algumas culinárias, como a asiática, os cães são parte integrante do cardápio. Por outro lado, nos primórdios do processo de domesticação, a relação custo-benefício de criar um cachorro, quase um lobo, que consumia uma significativa quantidade de carne, para comer depois não parece muito razoável. A não ser que o gosto fosse muito bom…

Li recentemente que os sul-coreanos acreditam que comer carne de cachorro assegura proteção contra algumas doenças e que a tradição reza que se deve comer a tradicional sopa de cachorro apenas em dias muito especiais, os chamados “dias de cachorro”. Parece que durante a Copa do Mundo de 2002, chegaram a proibir o consumo para não deixar os turistas chocados, mas agora o consumo vem aumentando significativamente. Nas Olimpíadas de Pequim aconteceu a mesma coisa, e a carne de cachorro foi proibida também. Talvez, haja mais nessa conexão animal…

1 Comentário

  1. Sandra disse:

    Realmente o fato de alguns países do mundo comerem carne de cão e gato nos estarrece mas não deveria, uma vez que todos os não veganos procedem da mesma maneira com outras espécies animais. A dor é a mesma e morte é morte seja a de um pato, de um coelho, de um bezerro ou de uma galinha, todos são animais sencientes, isto é, sofrem quando são machucados, degolados e esquartejados, ao contrário das plantas que nós veganos consumimos, na boa, porque não sentem dor, já que não possuem sistema nervoso central.Imprescindível ampliar esse conceito de compaixão além das portas do nosso lar sagrado, com empatia para outros animais também, aqueles “não estimados” ou não lembrados na hora de irem para a panela ou para a grelha. Falta compaixão, mas felizmente o mundo está se tornando vegano, cientistas, médicos, atletas, artistas famosos ou anônimos conscientes aderem ao cardápio sem crueldade que dispensa pedaços de cadáveres no prato porque existem mil opções saborosas, variadas, nutritivas e pra lá de surpreendentes que, acima de tudo, nos elevam à condição de racional verdadeiramente superior que todos poderemos ser, se quisermos.
    https://www.sejavegano.com.br/
    http://veganize.com.br/medicos-veganos-norte-americanos-que-voce-precisa-conhecer/
    https://www.fatosdesconhecidos.com.br/7-paises-que-ainda-consomem-carne-de-gato-e-cachorro/
    https://www.voltaaomundo.pt/2017/10/22/20-paises-mais-vegetarianos-do-mundo/
    https://www.youtube.com/watch?v=8bH-doHSY_o
    https://www.youtube.com/watch?v=3ushq14VsjU
    http://noticias.r7.com/blogs/patas-ao-alto/saiba-de-onde-vem-a-carne-de-baby-beef-ou-vitela/2014/04/09/

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